O que fazer após terminar o ensino médio: vale a pena?
Você acabou de terminar o ensino médio e agora se pergunta: e agora? A cabeça ferve com dúvidas. Faculdade? Mercado de trabalho direto? Marketing digital? Afiliação? Cada caminho parece ter seus prós e contras, e a pressão para escolher “certo” pode paralisar.
A verdade é que não existe uma resposta única. O que funciona para seu amigo pode ser um desastre para você. Mas calma: neste guia, vamos destrinchar as principais opções disponíveis em Brasil para quem acabou de sair do ensino médio, com dados reais, exemplos práticos e, principalmente, sem enrolação.
Cenário real do mercado de trabalho para jovens no Brasil
Antes de qualquer decisão, é fundamental entender o contexto atual. No último trimestre de 2024, o Brasil registrou 14,5 milhões de jovens de 14 a 24 anos ocupados, superando os números pré-pandemia. Isso parece promissor, certo?
Porém, há outra face da moeda. A taxa de desemprego entre jovens de 18 a 29 anos ficou em 14,2% no primeiro trimestre de 2024, bem acima da média nacional. Traduzindo: conseguir uma vaga é difícil, mas não impossível.
Outro dado importante: a taxa de desemprego entre jovens caiu de 25,2% para 14,3% entre o quarto trimestre de 2019 e o último trimestre de 2024. Isso mostra uma melhora expressiva, mas ainda há um longo caminho pela frente.
E os salários? No quarto trimestre de 2024, o rendimento médio de jovens entre 18 e 29 anos foi de R$ 2.297, valor 37,8% menor que o de trabalhadores entre 30 e 59 anos. Ou seja, você vai começar ganhando menos — e isso é normal.
Opção 1: Entrar direto no mercado de trabalho
Como funciona na prática
Muitos jovens optam por começar a trabalhar imediatamente após o ensino médio. As vagas mais comuns incluem vendedor, atendente, operador de telemarketing, auxiliar administrativo e estoquista. Mais de 40% dos jovens de 18 a 24 anos trabalham em ocupações de baixa complexidade e alta rotatividade.
Programas de jovem aprendiz são uma porta de entrada interessante. Entre janeiro e junho de 2025, foram firmados 356.739 novos contratos de aprendizagem em todo o país, o que demonstra o crescimento dessa modalidade.
Vantagens
✅ Renda imediata: você começa a ganhar dinheiro desde o primeiro dia.
✅ Experiência prática: aprende habilidades reais que faculdades não ensinam.
✅ Autonomia financeira: pode ajudar em casa ou economizar para futuros projetos.
✅ Networking: constrói conexões profissionais valiosas.
Desvantagens
❌ Salários baixos inicialmente: a maioria das vagas oferece remuneração próxima ao salário mínimo.
❌ Crescimento limitado sem qualificação: para cargos melhores, geralmente é necessário ter curso superior ou técnico.
❌ Jornadas exaustivas: conciliar trabalho com estudos pode ser desafiador.
❌ Alta informalidade: a taxa de informalidade entre jovens de 18 a 24 anos foi de 41,7% no primeiro trimestre de 2024.
Opção 2: Fazer faculdade ou curso técnico
Faculdade vale a pena?
Essa é uma das dúvidas mais comuns. A resposta honesta? Depende da área e do seu objetivo. Para profissões como medicina, engenharia, direito e arquitetura, o diploma é obrigatório. Mas em áreas como tecnologia, design e marketing digital, a experiência prática pode valer mais que o canudo.
Lembre-se: a faculdade não é garantia de emprego. O que realmente importa é o que você faz com o conhecimento adquirido. Se você escolher uma graduação apenas “por fazer”, provavelmente vai se frustrar.
Cursos técnicos como alternativa
Cursos técnicos têm duração menor (1 a 2 anos) e são mais focados no mercado de trabalho. Áreas como enfermagem, informática, administração e logística oferecem boas oportunidades. Além disso, custam menos que uma faculdade tradicional.
Vantagens
✅ Qualificação formal: diploma pode abrir portas em empresas maiores.
✅ Conhecimento aprofundado: você aprende a base teórica da sua área.
✅ Networking acadêmico: contatos com professores e colegas podem resultar em oportunidades.
✅ Melhores salários a longo prazo: quem tem formação tende a ganhar mais com o tempo.
Desvantagens
❌ Custo elevado: mensalidades de faculdades particulares podem pesar no bolso.
❌ Tempo de retorno: leva anos para começar a colher os frutos.
❌ Desatualização: muitos cursos ensinam teoria desconectada da realidade do mercado.
❌ Sem garantias: ter diploma não significa emprego garantido.
Para mais informações sobre como escolher a melhor qualificação, confira nosso artigo sobre prós e contras de fazer uma faculdade de marketing digital.
Opção 3: Marketing digital e afiliação
Por que tantos jovens estão indo para o digital?
O marketing digital explodiu nos últimos anos. A indústria de marketing de afiliados cresceu 83% desde 2017, e especialistas projetam que os gastos globais totalizarão US$ 15,7 bilhões até o final de 2025. No Brasil, o marketing de afiliados teve crescimento de 8% em 2023 e deve movimentar R$ 224,7 bilhões até 2025.
Mas atenção: não é dinheiro fácil. Muitos jovens entram nesse mercado achando que vão ficar ricos em semanas, e acabam desistindo quando percebem que requer esforço, consistência e estratégia.
Como começar?
Primeiro, escolha um nicho que você realmente entenda ou tenha interesse em aprender. Pode ser fitness, finanças pessoais, tecnologia, beleza, jogos — o que fizer sentido para você. Depois, crie conteúdo de valor (vídeos, textos, posts) nas redes sociais ou em um blog.
Plataformas como Hotmart, Kiwify e Shopee oferecem programas de afiliados acessíveis para iniciantes.
Se você quer entender melhor como começar, veja nosso guia sobre estratégias para gerar renda com marketing de afiliados no Brasil.
Vantagens
✅ Baixo investimento inicial: você pode começar com apenas um celular e internet.
✅ Flexibilidade de horários: trabalhe quando e onde quiser.
✅ Potencial de escala: seus ganhos não dependem de horas trabalhadas, mas de resultados.
✅ Aprendizado contínuo: você desenvolve habilidades valiosas como copywriting, tráfego pago e análise de dados.
Desvantagens
❌ Resultados demoram: pode levar meses até você ver os primeiros ganhos consistentes.
❌ Saturação em alguns nichos: áreas muito competitivas exigem diferenciação e criatividade.
❌ Instabilidade financeira: renda varia de mês a mês.
❌ Curva de aprendizado: é necessário estudar estratégias, ferramentas e tendências constantemente.
Vale a pena?
A pergunta que não quer calar: afinal, qual dessas opções vale a pena?
Se você precisa de renda imediata e não tem condições de investir tempo em estudo, entrar no mercado de trabalho pode ser a melhor escolha. Mas saiba que o crescimento será mais lento sem qualificação.
Se você tem clareza sobre a carreira que quer seguir e a profissão exige formação, faculdade ou curso técnico fazem sentido. Só não faça por pressão social ou “porque todo mundo faz”.
Se você é curioso, gosta de tecnologia e está disposto a aprender fazendo, marketing digital pode ser uma excelente porta de entrada. Mas tenha expectativas realistas: você não vai ficar rico da noite para o dia.
O ideal? Combinar estratégias. Muitos jovens trabalham durante o dia e estudam ou criam conteúdo digital à noite. Assim, você garante renda enquanto constrói algo maior a longo prazo.
O que funciona de verdade e o que é perda de tempo
Funciona:
Começar pequeno e crescer gradualmente: seja qual for o caminho, comece devagar. Não tente abraçar o mundo de uma vez.
Investir em aprendizado: cursos online gratuitos, vídeos no YouTube, livros. Conhecimento é o melhor investimento. Confira nosso artigo sobre como aprender marketing digital de graça.
Testar e ajustar: nada sai perfeito na primeira tentativa. Teste diferentes abordagens e ajuste conforme os resultados.
Construir presença online: mesmo se você escolher emprego tradicional, ter um perfil no LinkedIn ou Instagram pode abrir portas.
Não funciona (e é perda de tempo):
Esperar a “oportunidade perfeita”: ela não existe. Ação imperfeita é melhor que perfeição paralisante.
Seguir modas sem estratégia: entrar em qualquer nicho só porque “está bombando” raramente dá certo.
Acreditar em “fórmulas mágicas”: desconfie de promessas de riqueza rápida. Se fosse tão fácil, todo mundo seria rico.
Não investir em si mesmo: seja tempo, dinheiro ou esforço, crescimento exige investimento pessoal.
Erros comuns que impedem resultados
1. Falta de foco
Muitos jovens começam três coisas ao mesmo tempo e não terminam nenhuma. Escolha uma direção e dê tempo para ela funcionar antes de mudar.
2. Desistir cedo demais
Seja no emprego tradicional ou no digital, resultados levam tempo. Em média, jovens empregados têm 12 meses de trabalho antes de pedirem demissão em busca de melhores oportunidades. Isso mostra que leva tempo para se adaptar e crescer.
3. Não pedir ajuda
Orgulho mata carreiras. Pergunte, pesquise, busque mentores. Ninguém cresce sozinho.
4. Ignorar soft skills
Comunicação, trabalho em equipe, resiliência. Essas habilidades são tão importantes quanto conhecimento técnico.
5. Não ter reserva financeira
Se você vai arriscar no digital ou empreender, tenha uma reserva mínima. Isso evita desespero e decisões ruins por falta de dinheiro.
Considerações finais
Não existe resposta errada para a pergunta “o que fazer depois do ensino médio?”. O que existe é falta de clareza e planejamento. Antes de decidir, pergunte-se:
• O que eu realmente gosto de fazer?
• Onde eu me vejo em 5 anos?
• Quais são minhas prioridades agora: dinheiro, aprendizado ou estabilidade?
• Estou disposto a correr riscos ou prefiro segurança?
Independente da escolha, lembre-se: você não está preso. Se começar no marketing digital e descobrir que prefere trabalho tradicional, pode mudar. Se entrar na faculdade e perceber que não é para você, pode trancar e tentar outra coisa.
O importante é dar o primeiro passo. Ação gera clareza. E clareza gera resultados.
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