Will Bank faliu: Nubank, Bradesco ou Itaú é o próximo?
A liquidação do Will Bank em janeiro de 2026 pegou muita gente de surpresa. Com 12 milhões de clientes afetados e contas bloqueadas da noite para o dia, o caso trouxe de volta aquela velha pergunta que ninguém quer responder: será que meu banco pode falir também?
A resposta curta é: não da mesma forma. Mas vamos entender por que o Will Bank quebrou, quais são os sinais de alerta reais e se grandes bancos como Nubank, Bradesco e Itaú correm algum risco.
O que realmente aconteceu com o Will Bank
O Will Bank não faliu sozinho. Ele era controlado pelo Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025 após investigações da Polícia Federal por suspeita de fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB por R$ 12 bilhões.
Quando o controlador caiu, o Will Bank tentou sobreviver sob regime de administração especial temporária. Mas a situação se tornou insustentável. No dia 19 de janeiro de 2026, a instituição descumpriu pagamentos devidos à Mastercard, o que levou ao bloqueio imediato da participação no arranjo de pagamentos e, dois dias depois, à liquidação definitiva.
O problema não foi apenas falta de dinheiro. O Banco Central identificou comprometimento da situação econômico-financeira e insolvência do Will Bank, agravado pelo vínculo direto com uma instituição já liquidada. Isso mostra que crises de governança e má gestão são tão perigosas quanto problemas de caixa.
Como funcionam as proteções do sistema financeiro brasileiro
Antes de entrar em pânico, é importante entender como o sistema financeiro brasileiro funciona. O Banco Central atua como regulador e fiscalizador, monitorando constantemente a saúde das instituições financeiras.
Existem três camadas principais de proteção:
Regulação prudencial: Bancos precisam manter índices mínimos de capitalização, como o Índice de Basileia (mínimo de 10,5% no Brasil). Esse índice mede se a instituição tem capital suficiente para absorver perdas sem colocar os clientes em risco.
Supervisão contínua: O BC acompanha relatórios mensais, auditorias e indicadores financeiros de todas as instituições. Quando detecta problemas, pode intervir antes que a situação se agrave, aplicando medidas como o regime de administração especial.
Fundo Garantidor de Créditos (FGC): Esta é sua última linha de defesa. O FGC garante até R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira, cobrindo depósitos em conta corrente, poupança, CDB, LCI, LCA e outros produtos de renda fixa. O limite total é de R$ 1 milhão a cada 4 anos.
Nubank, Bradesco e Itaú: qual a real situação
Vamos aos números que realmente importam. A diferença entre um Will Bank e os grandes bancos brasileiros não está apenas no tamanho, mas nos indicadores de solidez.
Itaú Unibanco
O maior banco privado do Brasil fechou 2025 com lucro de R$ 41,4 bilhões e continua sendo referência em solidez. Com quase 100 milhões de clientes e operação consolidada há décadas, o Itaú mantém índices de capitalização bem acima do mínimo regulatório. O Índice de Basileia do banco fica consistentemente acima de 16%, quase o dobro do mínimo exigido.
Bradesco
Com 110 milhões de clientes, o Bradesco é a segunda maior instituição em número de correntistas. Fundado em 1943, o banco possui R$ 2,127 trilhões em ativos e lucro recorrente de R$ 17,5 bilhões em 2024. Sua extensa rede física e diversificação de produtos garantem resiliência operacional.
Nubank
O banco digital ultrapassou o Bradesco e alcançou 112 milhões de clientes, tornando-se a segunda maior instituição do país em base de usuários. Mas o mais impressionante é sua estrutura de capital: o Nubank apresenta Índice de Basileia superior aos bancos tradicionais, desmentindo o mito de que bancos digitais são menos seguros.
Uma curiosidade importante: o Nubank teve a maior alíquota efetiva de impostos em 2025 no Brasil, com 31%, muito acima de Santander (9,6%), Itaú (14,2%) e Bradesco (8,4%). Isso demonstra transparência fiscal e solidez de operação.
Vale a pena ter dinheiro nesses bancos?
Sim, mas com algumas ressalvas inteligentes. A questão não é se Nubank, Bradesco ou Itaú vão quebrar — a probabilidade disso é extremamente baixa. O sistema financeiro brasileiro é um dos mais regulados e seguros do mundo.
Porém, vale seguir algumas práticas de segurança financeira:
Diversifique entre instituições: Não deixe todo seu patrimônio em um único banco. Se você tem mais de R$ 250 mil, distribua entre diferentes instituições para maximizar a proteção do FGC.
Priorize bancos sólidos: Escolha instituições com histórico comprovado, boa governança e índices de capitalização saudáveis. Os três bancos mencionados atendem esses critérios.
Entenda o que está coberto: Nem todo produto financeiro tem garantia do FGC. Fundos de investimento, ações e títulos privados não estão cobertos. Para esses casos, avalie o risco da operação e do emissor.
Monitore os indicadores: Acompanhe notícias sobre o setor financeiro. O Banco Central publica relatórios regulares sobre a saúde das instituições.
O que funciona de verdade e o que é perda de tempo
Depois do caso Will Bank, muita informação errada circulou nas redes sociais. Vamos separar o que realmente protege você do que é apenas ruído.
Funciona:
✅ Manter até R$ 250 mil por banco: Essa é a proteção real e garantida pelo FGC. Se você tem R$ 500 mil, divida em dois bancos diferentes.
✅ Escolher instituições reguladas pelo BC: Só faça negócios com bancos e fintechs autorizados. Pesquise antes de abrir conta.
✅ Acompanhar os ratings das instituições: Agências de classificação de risco como Moody’s, S&P e Fitch publicam avaliações sobre a solidez dos bancos.
Perda de tempo:
❌ Entrar em pânico e sacar tudo: Corridas bancárias causam mais problemas do que resolvem. Os grandes bancos brasileiros são extremamente sólidos.
❌ Confiar apenas em “bancos tradicionais”: A solidez não está no tempo de mercado, mas nos indicadores financeiros. O Nubank, por exemplo, tem índices melhores que muitos bancos centenários.
❌ Deixar dinheiro parado na conta corrente: Mesmo que o banco seja seguro, dinheiro parado perde valor para inflação. Use estratégias inteligentes para fazer seu dinheiro render.
Erros comuns que colocam seu dinheiro em risco
O problema não está nos grandes bancos — está nas escolhas equivocadas que as pessoas fazem. Veja os erros mais comuns:
Concentrar todo o patrimônio em uma única instituição: Mesmo que seja o banco mais sólido do mundo, isso é imprudente. A diversificação é fundamental para proteção patrimonial.
Não verificar se a instituição é regulada: Existem fintechs e “bancos digitais” que não possuem autorização do Banco Central. Essas instituições não oferecem a mesma proteção.
Ignorar os sinais de alerta: Quando um banco começa a ter problemas, geralmente há sinais: dificuldade em sacar dinheiro, atrasos em pagamentos, mudanças bruscas na diretoria. Não ignore esses avisos.
Confundir popularidade com segurança: Um banco pode ter milhões de clientes e ainda assim ter problemas de gestão. Analise os indicadores financeiros, não apenas a quantidade de usuários.
Não diversificar tipos de investimento: Ter tudo em conta corrente ou poupança é tão arriscado quanto ter tudo em um único banco. Explore diferentes formas de fazer seu dinheiro trabalhar para você.
Como o Banco Central impede novas crises
Depois do caso Will Bank, o BC reforçou ainda mais a fiscalização. O Banco Central implementou medidas para proteger o Sistema Financeiro Nacional, incluindo limitação de R$ 15 mil para transferências Pix de instituições não autorizadas.
As novas regras incluem:
Credenciamento obrigatório mais rigoroso: Fintechs e instituições de pagamento precisam passar por avaliações mais detalhadas antes de receber autorização para operar.
Monitoramento em tempo real: O BC intensificou o acompanhamento de indicadores de liquidez e solvência de todas as instituições financeiras.
Intervenção preventiva: Quando detecta problemas, o regulador age mais rapidamente, antes que a situação se torne irreversível.
Transparência aumentada: Bancos devem divulgar mais informações sobre sua saúde financeira, permitindo que clientes e investidores tomem decisões mais informadas.
A diferença entre liquidação e falência
Muita gente confunde os termos, mas há diferenças importantes. Liquidação extrajudicial é quando o Banco Central assume o controle da instituição e organiza o pagamento de credores de forma ordenada. É um processo administrativo.
Já a falência só acontece se os ativos forem insuficientes ou se forem identificadas irregularidades graves. É um processo judicial mais complexo.
No caso do Will Bank, o BC decretou liquidação extrajudicial. O objetivo é proteger depositantes, credores e o próprio sistema financeiro, evitando prejuízos maiores. Os clientes com saldo em conta serão ressarcidos pelo liquidante, enquanto quem tinha investimentos será atendido pelo FGC.
Como ficam os clientes afetados
Para quem tinha dinheiro no Will Bank, cerca de 12 milhões de clientes ficaram impossibilitados de movimentar contas, fazer transferências Pix ou usar cartão de crédito. Mas há recursos disponíveis:
Saldo em conta corrente: Será devolvido pelo liquidante, sem limite de valor. Mas pode demorar alguns meses até que o processo seja concluído.
Investimentos cobertos pelo FGC: CDBs e outros produtos garantidos serão ressarcidos até R$ 250 mil por CPF através do app do FGC.
Faturas de cartão de crédito: Continuam válidas e devem ser pagas. Não pagar pode gerar negativação e juros, mesmo com o banco liquidado.
Chaves Pix: Ficam inativas até serem portadas para outra instituição. É necessário cadastrar novamente em outro banco.
O futuro do sistema financeiro brasileiro
O caso Will Bank não representa uma crise sistêmica. Pelo contrário, demonstra que os mecanismos de proteção estão funcionando. O sistema identificou o problema, agiu rapidamente e garantiu proteção aos clientes dentro dos limites estabelecidos.
Os grandes bancos brasileiros — Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Santander e mesmo o Nubank — continuam extremamente sólidos. O Itaú Unibanco segue na liderança com o maior lucro do país, alcançando R$ 41,4 bilhões em 2025, enquanto o Bradesco e o Nubank mantêm crescimento sustentável.
A tendência é de mais regulação, mais transparência e mais proteção aos consumidores. O BC está aprimorando constantemente suas ferramentas de supervisão, e as instituições financeiras estão investindo pesado em governança e gestão de riscos.
Para você, cliente, isso significa: escolha bem onde coloca seu dinheiro, diversifique seus investimentos e mantenha-se informado. Mas não entre em pânico. O sistema financeiro brasileiro é robusto e preparado para lidar com crises pontuais como a do Will Bank.
Você gostou deste conteúdo?
Para receber as últimas notícias e conteúdos exclusivos:




