Como escolher candidato: guia prático para avaliar propostas e histórico
Você já ficou na frente da urna sem saber em quem votar? Ou pior: votou por impulso e depois se arrependeu? Essa sensação de não saber o que avaliar em um candidato é mais comum do que parece.
A boa notícia é que escolher um candidato não precisa ser complicado. Com critérios claros e um pouco de pesquisa, você consegue tomar uma decisão mais consciente e alinhada com o que realmente importa para você.
Neste guia, você vai descobrir o que realmente funciona na hora de avaliar candidatos, quais informações priorizar e como filtrar promessas vazias de propostas viáveis.
Por que a maioria das pessoas vota sem critérios claros?
Segundo dados do Statista, cerca de 40% dos eleitores decidem o voto nos últimos dias antes da eleição. Isso acontece porque falta um método prático para avaliar candidatos.
Muita gente acaba votando por indicação de amigos, pela simpatia do candidato ou por uma única promessa que chamou atenção. O problema é que decisões baseadas apenas em emoção raramente consideram o histórico real da pessoa ou a viabilidade das propostas.
Outro fator é o excesso de informação. Durante campanhas, somos bombardeados com propaganda, fake news e discursos inflamados. Sem um filtro, fica difícil separar o que é real do que é apenas marketing político.
O que analisar em um candidato antes de votar?
Para fazer uma escolha consciente, você precisa ir além do que aparece na propaganda eleitoral. Aqui estão os critérios mais importantes:
Histórico político e profissional
Antes de confiar em promessas, verifique o que o candidato já fez. Se ele já ocupou cargos públicos, pesquise:
✅ Projetos aprovados: O que ele propôs e conseguiu aprovar? Entre no site da Câmara ou do Senado e procure pelo nome dele.
✅ Presença em votações: Ele comparece às sessões? Muitos candidatos têm índice alto de faltas, o que significa que não estão exercendo o mandato de forma ativa.
✅ Posicionamento em temas importantes: Como ele votou em questões como saúde, educação, segurança e economia? Isso mostra suas prioridades reais.
Se o candidato nunca ocupou cargo político, avalie sua trajetória profissional. Ele tem experiência em gestão? Trabalhou em áreas relacionadas ao cargo que está pleiteando?
Propostas concretas vs. promessas genéricas
Uma proposta viável precisa ter três elementos: o que será feito, como será feito e de onde virá o recurso. Desconfie de promessas vagas como “vou melhorar a saúde” ou “vou gerar empregos”.
Propostas concretas incluem números, prazos e métodos. Por exemplo:
❌ Promessa genérica: “Vou investir na educação.”
✅ Proposta concreta: “Vou ampliar o número de vagas em creches municipais em 30% nos próximos dois anos, usando recursos do orçamento municipal e parcerias público-privadas.”
Quanto mais específica a proposta, maior a chance de ela ser viável. Propostas genéricas costumam ser apenas discurso de campanha.
Coerência entre discurso e histórico
Um candidato que sempre defendeu aumento de impostos não pode, de repente, se apresentar como defensor da redução tributária. Analise se o discurso atual bate com o histórico de votações e posicionamentos anteriores.
Candidatos que mudam radicalmente de posição estão mais preocupados em agradar o eleitorado do que em manter uma linha coerente de trabalho.
Onde encontrar informações confiáveis sobre candidatos?
A pesquisa é essencial, mas precisa ser feita em fontes oficiais. Aqui estão os lugares certos para buscar dados:
Portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
No site do TSE, você encontra:
Declaração de bens: Quanto o candidato declarou ter. Isso ajuda a identificar possíveis inconsistências patrimoniais.
Ficha criminal: Se o candidato tem processos ou condenações.
Propostas oficiais: O plano de governo registrado pelo candidato.
Essas informações são públicas e atualizadas a cada eleição. Use sempre essas fontes antes de tomar sua decisão.
Portais de transparência
Sites como o Portal da Transparência do Governo Federal e os portais estaduais e municipais mostram como os recursos públicos estão sendo usados. Se o candidato já ocupou cargo executivo, você pode verificar os gastos da gestão dele.
Sites de checagem de fatos
Plataformas como Aos Fatos, Agência Lupa e Estadão Verifica checam declarações de candidatos e combatem fake news. Use essas ferramentas para verificar se as informações que você recebeu são verdadeiras.
Vale a pena votar em candidato de primeiro mandato?
Muitas pessoas têm dúvida se devem votar em alguém que nunca ocupou cargo político. A resposta é: depende do preparo e da trajetória do candidato.
Um candidato de primeiro mandato pode trazer renovação e novas ideias. Mas também pode ter pouca experiência em gestão pública, o que dificulta a execução de propostas.
Avalie se ele tem:
Experiência em gestão: Já administrou empresas, ONGs ou projetos de grande porte?
Conhecimento técnico: Entende as áreas prioritárias do cargo que está pleiteando?
Equipe qualificada: Quem está ao redor dele? Candidatos sérios apresentam suas equipes de apoio e assessores.
Se o candidato novo tem um plano claro e está cercado de pessoas competentes, ele pode ser uma boa escolha. Caso contrário, pode ser arriscado.
O que funciona de verdade e o que é perda de tempo
Na hora de avaliar candidatos, algumas estratégias realmente ajudam. Outras apenas desperdiçam seu tempo.
✅ O que funciona:
Verificar o histórico de votações: Sites como o da Câmara dos Deputados e do Senado mostram como o candidato votou em projetos importantes. Isso revela suas prioridades reais.
Analisar o plano de governo: Todo candidato deve registrar seu plano no TSE. Leia o documento completo, não apenas o resumo da propaganda.
Pesquisar a ficha-limpa: Confirme se o candidato não tem condenações que o tornem inelegível.
Comparar propostas com orçamento disponível: Uma promessa só é viável se houver recursos para executá-la. Propostas que ignoram limites orçamentários são apenas discurso.
❌ O que é perda de tempo:
Confiar apenas em propaganda eleitoral: Comerciais e santinhos mostram apenas o lado positivo. Não são fontes confiáveis.
Seguir indicações sem pesquisar: Mesmo que alguém de confiança recomende um candidato, faça sua própria análise.
Votar baseado em uma única proposta: Um candidato pode ter uma boa ideia em educação, mas ser fraco em saúde e segurança. Avalie o conjunto.
Acreditar em promessas impossíveis: Se a proposta parece boa demais para ser verdade, provavelmente é. Desconfie de quem promete resolver tudo rapidamente.
Erros comuns que impedem uma escolha consciente
Mesmo com boas intenções, muitos eleitores cometem erros na hora de escolher candidatos. Aqui estão os mais frequentes:
Não pesquisar antes de votar
Segundo pesquisa do eMarketer, mais de 50% dos eleitores não consultam fontes oficiais antes de votar. Isso significa que a maioria decide com base em propaganda e boatos.
Investir algumas horas pesquisando pode fazer toda a diferença. Você não precisa virar especialista em política, mas precisa saber o básico sobre quem está escolhendo.
Votar por simpatia ou aparência
É natural gostar de candidatos carismáticos, mas simpatia não garante competência. Avalie o que a pessoa fez, não apenas como ela se apresenta.
Ignorar o histórico de corrupção
Se um candidato já foi envolvido em escândalos de corrupção ou tem processos por desvio de dinheiro público, isso deve pesar na sua decisão. Caráter e ética são fundamentais em cargos públicos.
Votar apenas no partido, não na pessoa
Partidos políticos têm diretrizes gerais, mas cada candidato é único. Dentro de um mesmo partido, há candidatos competentes e incompetentes. Avalie o indivíduo, não apenas a sigla.
Como comparar dois candidatos na prática?
Se você está em dúvida entre dois ou mais candidatos, crie uma tabela comparativa. Liste os critérios mais importantes para você e veja como cada um se sai:
Critérios sugeridos:
Experiência em gestão pública: Quantos cargos já ocupou? Qual foi o desempenho?
Propostas para sua área prioritária: Se educação é importante para você, compare as propostas de educação de cada candidato.
Histórico de votações: Como votaram em temas que você considera fundamentais?
Ficha-limpa: Algum deles tem processos ou condenações?
Coerência: O discurso atual bate com o histórico de ações?
Essa comparação objetiva ajuda a tirar a emoção da decisão e focar no que realmente importa.
Checklist para escolher seu candidato
Use este checklist antes de decidir seu voto:
✅ Pesquisei o histórico do candidato no TSE?
✅ Verifiquei se ele tem ficha-limpa?
✅ Li o plano de governo completo?
✅ Conferi as votações anteriores (se ele já foi político)?
✅ Comparei as propostas dele com as de outros candidatos?
✅ Chequei se as promessas são viáveis financeiramente?
✅ Analisei se o discurso é coerente com o histórico?
✅ Busquei informações em fontes oficiais, não apenas em redes sociais?
Se você respondeu sim para a maioria dessas perguntas, está no caminho certo para uma escolha consciente.
E se nenhum candidato me convencer?
Acontece. Às vezes, nenhum candidato atende ao que você esperava. Nesse caso, você tem algumas opções:
Votar no menos pior: Mesmo que nenhum seja perfeito, um pode ser melhor que o outro. Escolha o que causa menos danos ou tem mais chances de fazer algo útil.
Votar nulo: É seu direito, mas lembre-se de que o voto nulo não muda o resultado. Os candidatos eleitos serão escolhidos pelos votos válidos.
Não votar (justificar ausência): Se você não comparecer, precisa justificar. Mas isso também não influencia o resultado.
A decisão é sua, mas saiba que quanto mais gente vota de forma consciente, melhores são os governantes eleitos.
Como continuar acompanhando o candidato depois da eleição?
Votar é apenas o começo. Depois que o candidato for eleito, continue acompanhando o trabalho dele:
Siga os canais oficiais: Acompanhe as redes sociais e o site oficial do mandato.
Confira as votações: Sites como o da Câmara mostram todas as votações em tempo real.
Cobre promessas: Se o candidato prometeu algo específico, acompanhe se está cumprindo.
Participe de audiências públicas: Muitos políticos fazem encontros com eleitores. Participe e faça perguntas.
Essa pressão popular faz diferença. Políticos que sabem que estão sendo observados tendem a trabalhar melhor.
Perguntas frequentes sobre como escolher candidato
Posso confiar em pesquisas eleitorais?
Pesquisas eleitorais mostram uma tendência, mas não são garantia. Use-as como referência, mas não como único critério. Foque no seu próprio julgamento baseado em informações oficiais.
Como saber se uma notícia sobre o candidato é fake news?
Sempre verifique a fonte. Se a notícia vem de um site desconhecido ou não tem autor identificado, desconfie. Use plataformas de checagem como Aos Fatos e Lupa para confirmar.
Devo votar em candidato de partido pequeno?
Partido pequeno não significa candidato ruim. Avalie a pessoa, não o tamanho da legenda. Muitos bons políticos estão em partidos menores.
É importante votar em candidatos da minha região?
Depende do cargo. Para vereador, é importante que ele conheça os problemas da sua cidade. Para deputado federal ou senador, a atuação é mais ampla, então o critério muda.
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